Eleições 2.0: Primeiro impacto
Data: July 31st, 2010 | Autor: hugocristo
Demorou mas aconteceu. A primeira leva de propaganda política por e-mail chegou nesta sexta-feira, dia 30 de julho. No início da mesma semana alguns candidatos participaram de conferências com os internautas via Twitcam.
Na semana anterior os dois principais candidatos à presidência resolveram ficar de fora do debate promovido pelos principais portais de Internet do país. Finalmente estamos experimentando o gostinho de uma campanha na era da inteligência coletiva.
Como de praxe, não hesitei em twittar meu pedido para não receber mais esse tipo de coisa. Faço isso com propagandas de cursos, com convites para batizados ou até com pedidos para ajudar a tirar gatinhos de árvores.

Eu sinceramente acho a propaganda política ruim nas mídias tradicionais. Tempos desproporcionais, imagens de cinema para prometer o impossível, ausência de discussão com o passado, ataques gratuitos… Então manifestei minha expectativa aos candidatos spammers sobre a campanha não precisar começar com o pé esquerdo também nas mídias sociais.
Não esperava resposta, mas ela curiosamente veio (ao menos de um dos candidatos):
Será que estaria acontecendo alguma coisa? Meus amigos e seguidores no Twitter, céticos, disseram para eu não esperar nada muito diferente disso.
Mas eu penso que algo está mudando. Vamos imaginar que esses e-mails sejam santinhos, ou sejam jingles veiculados por carros de som ou ainda sejam bandeiras agitadas nas principais avenidas da cidade. Jamais um candidato se desculparia por me entregar um santinho, por me fazer ouvir um jingle ou por atrapalhar a circulação da calçada com sua bandeira.
Queiram os céticos ou não, o grande diferencial da Internet é diminuir (e quem sabe um dia suprimir) a polarização dos fluxos comunicacionais: cada dia estamos vivendo um mundo mais todos-todos e menos um-todos.
Como bem disse o Silvio Meira, esse processo eleitoral poderia ser marcado por mais diálogo com as bordas, mas até agora parece que a mudança será pequena e, pelo menos na corrida aos grandes cargos, o debate se manterá no centro.
De um jeito ou de outro, estou satisfeito com a novidade. Não sei se a resposta veio da candidata ou de um dos seus assessores. O importante é que a resposta chegou, e veio num tom pessoal e cordial. Agora é esperar para ver se o outro candidato também responderá de alguma forma e quantos outros enviarão e-mails não solicitados.
Categoria: Eleições 2.0 | Tags: mídias sociais, spam | Comentários: 3 Comentários »
Viva a democracia!
É um começo, espero que um dia os políticos entendam que a melhor campanha são seus atos, a sua plataforma política bem elaborada com ações reais e possíveis. E descubram que santinhos só poluem, e que te obrigar a conhecê-los não é um bom caminho. Assim também espero que o voto seja verdadeiramente democrático e não obrigatório, para assim votarmos de forma consciente e com isso o título de eleitor seja realmente um símbolo de mudança e não de moeda de troca.
A vantagem desse tipo de campanha é que podemos “reportar como spam” ou dar “unfollow” e nunca mais os veremos, infelizmente na tv, rádio, etc, não temos essa opção! x)