A Gazeta: Maioria ignora teste do e-mail
Data: July 17th, 2011 | Autor: hugocristoNa primeira edição do novo Jornal A Gazeta, uma matéria da jornalista Mariana Montenegro toca em temas ligados à Pesquisa E-leitor, realizada pelo NIC em 2010.
Fui convidado pela jornalista a analisar os resultados da pesquisa e, apesar do pessimismo, acredito que ainda há tempo para uma mudança de comportamento pelos nossos representantes.
Maioria ignora teste do e-mail
Deputados não respondem às mensagens que recebem
Precisando de ajuda, o eleitor envia um e-mail ao deputado solicitando uma reunião. Aguarda, no mínimo, um retorno do parlamentar. Mas enquanto o mundo vive em plena era da tecnologia, até com negócios sendo fechados via internet, os deputados do Estado estão reprovados no teste do e-mail promovido por A GAZETA.
No dia 27 de junho – ou seja, há 21 dias – a reportagem fez contato, de forma individualizada, com os 30 deputados estaduais, os 10 deputados federais e 24 secretarias do governo estadual. De Brasília, apenas Lauriete (PSC) respondeu; na Assembleia Legislativa, 11 deram retorno e o Executivo teve o melhor resultado, sendo que 18 secretarias fizeram contato – seis, portanto, ficaram reprovadas.
Telefone
De forma geral, os que deram retorno foram ágeis e já responderam em até dois dias da data de envio do primeiro contato. Alguns deram resposta pela rede mundial e outros também por telefone, informado no e-mail. Dos deputados estaduais que entraram em contato, sete o fizeram já no dia seguinte, outros três no dia 29 de junho e a assessoria de Luiz Durão (PDT) entrou em contado apenas no dia 7 de julho. Mas deu retorno. Ao contrário de 18 parlamentares que ignoraram o e-mail em suas caixas postais e ficaram reprovados no teste.
Fechando o grupo de 30 deputados estaduais, o e-mail para José Esmeraldo (PR) retornou porque o endereço disponível no site da Assembleia Legislativa estaria incorreto.
No e-mail, assinado como um cidadão comum, a reportagem afirmou precisar de ajuda do deputado, perguntou como faria para marcar uma reunião e se o parlamentar poderia entrar em contato. Os endereços virtuais usados foram os institucionais, disponibilizados na página da Assembleia.
Brasília
Falar com um deputado federal? Se você não tiver condições de telefonar para Brasília será uma saga complicada. Dos dez parlamentares capixabas, apenas um, Lauriete (PSC), respondeu ao e-mail enviado pela reportagem no último dia 27 de junho. Ainda assim, somente no dia 13 de julho.A explicação é, de maneira geral, a mesma: o e-mail não chegou. Os chefes de gabinete dos deputados capixabas alegaram que o sistema da Câmara é muito ruim e que o e-mail enviado via “Fale com o deputado” não é repassado para o gabinete. Não souberam responder, porém, para que, então, o link está disponível.
Para enviar o e-mail, o eleitor tem que preencher seus dados, escrever a mensagem e ainda digitar um código de segurança. Tudo isso sem saber que, dificilmente, terá retorno.
Governo
Já o Executivo foi aprovado em teste semelhante, com grande retorno da assessoria dos secretários. O e-mail enviado por A GAZETA dizia: “Como faço para obter informações da secretaria? Tem como o secretário ou algum assessor entrar em contato comigo?”. Das 24 secretarias – duas não disponibilizam um e-mail institucional -, 18 deram resposta em até dois dias.
E todos com mensagens positivas tentando prestar as informações solicitadas. Quatro secretarias não entraram em contato e, em outras duas, o e-mail voltou dizendo que o endereço não existia.
Resultado
Assembleia
APROVADOS. Elcio Alvares (DEM), Sandro Locutor (PV), Claudio Vereza (PT), Nilton Baiano (PP), Atayde Armani (DEM), Roberto Carlos (PT), Sérgio Borges (PMDB), Da Vitória (PDT), Glauber Coelho (PR), Marcelo Coelho (PDT), Luiz Durão (PDT)
REPROVADOS. Luciano Pereira (DEM), Rodney Miranda (DEM), Theodorico Ferraço (DEM), Hércules Silveira (PMDB), Luzia Toledo (PMDB), Marcelo Santos (PMDB), Solange Lube (PMDB), Genivaldo Lievore (PT), Lucia Dornellas (PT), Gilsinho Lopes (PR), Dary Pagung (PRP), Henrique Vargas (PRP), Eustáquio de Freitas (PSB), Rodrigo Chamoun (PSB), Gildevan Fernandes (PV), José Carlos Elias (PTB), Luciano Rezende (PPS), Wanildo Sarnaglia (PTdoB)
Governo do Estado
APROVADOS. Casa Militar, Saneamento Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Desenvolvimento (Sedes), Esportes Sesport), Educação (Sedu), Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Saúde (Sesa), Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), Casa Civil, Procuradoria Geral do Estado (PGE), Controle e Transparência (Secont), Gestão e Recursos Humanos (Seger), Comunicação (Secom), Turismo (Setur), Gabinete do Governador, Cultura (Secult), Justiça (Sejus), Polícia Civil
REPROVADOS. Ciência e Tecnologia (Sect), Planejamento (Sep), Governo (Seg), Transportes e Obras Públicas (Setop)
Deputados Federais
APROVADOS. Lauriete (PSC)
REPROVADOS. Audifax Barcelos (PSB), Lelo Coimbra (PMDB), Paulo Foletto (PSB), Rose de Freitas (PMDB), Iriny Lopes (PT), Sueli Vidigal (PDT), Jorge Silva (PDT), Carlos Manato (PDT), César Colnago (PSDB)
Obs.: Os e-mails enviados para o deputado José Esmeraldo (PR) além da Defensoria Pública e secretaria de Meio Ambiente voltaram.
Obs2: Não tem e-mail disponível no site, as secretarias da Fazenda e Assistência Social, Tranalho e Direitos Humanos.Análise – Políticos menos ativos na internet
A campanha eleitoral de 2010 foi marcada por uma presença online inédita dos candidatos aos diversos cargos do Legislativo: redes sociais, videoconferências, chats e outras formas de contato quase permanente com os eleitores. Apesar da inovação ter ajudado a aproximar o cidadão daqueles com a intenção de representá-los, algo aconteceu após a posse. Não sabemos onde foram parar os smartphones, perfis das redes sociais e outros canais de comunicação, mas pode-se dizer que estão infinitamente menos ativos do que há um ano. De todas as incoerências da política brasileira, talvez essa seja a mais recente e a mais sem sentido: os parlamentares, ao invés de estreitarem os laços estabelecidos com as redes de eleitores conquistadas ao longo da campanha, preferem abandoná-las. Ao invés de usarem a tecnologia para exercer o mandato com transparência, preferem deixar para nos adicionar, seguir e curtir nas próximas eleições.
Hugo Cristo, Professor da Ufes
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